segunda-feira, 8 de abril de 2013

O absolutismo na Espanha

A centralização do poder monárquico espanhol esbarrou em graves dificuldades. No século XV, a Espanha era um conjunto de reinos independentes que se haviam formado ao longo da guerra de Reconquista cristã. Dentre eles, destacavam-se os reinos de Castela e Aragão, o de Navarra, ao norte, e o reino andaluz de Granada, no extremo sul, mantido pelos muçulmanos.

As diferenças entre os reinos eram enormes: língua, costumes, instituições, moedas, entre outras. A formação da Espanha baseou-se, portanto, na construção de uma forte unidade religiosa, capaz de superar as diversidades culturais, linguísticas e institucionais existentes na península. Assim, têm razão os historiadores ao afirmar que a Espanha se fez com base na unidade da fé. Fé católica assegurada pela Inquisição.

Felipe II, o monarca mais poderoso
da Europa do século XVI.

O absolutismo na França

Na França, o poder real se consolidou de modo lento e persistente durante todo o século XVI. As guerras religiosas de fins do século XVI e princípios do XVII colocaram em risco a estabilidade do poder, mas na segunda metade do século XVIII, com Luís XIV, o absolutismo havia triunfado.

Com o surgimento do protestantismo, alguns burgueses e nobres converteram-se ao novo culto, enquanto o Estado era fortemente influenciado pelo catolicismo. A situação se complicou quando subiu ao trono Carlos IX, sob a regência da rainha-mãe, Catarina de Médicis. Ele concedeu aos protestantes o direito de celebrar seu culto em algumas cidades e de dispor de quatro praças-fortes. Após certo momento, porém, a rainha passou a temer o fortalecimento dos protestantes.

Morto Carlos IX, subiu ao trono seu irmão Henrique III. Teve início então a Guerra dos Três Henriques. De um lado, Henrique de Guise, mais preocupado em conquistar a coroa do que em defender a fé, fundou a Liga Católica. De outro, o rei, também católico, mas temeroso das ambições do duque. O terceiro vértice do triângulo era Henrique de Navarra, protestante e membro da alta nobreza. (Leia sobre a Guerra dos Três Henriques)

Nesta imagem de 1701, Hyacinthe Rigaud retratou
Luís XIV aos 63 anos, em trajes reais. Luís XIV foi
o soberano que mais promoveu sua imagem dentre
todos os monarcas europeus.
O longo processo de centralização do poder monárquico atingiu seu ponto culminante com o rei Luís XIV, conhecido como "Rei-sol" e a ele atribuiu-se a frase "o Estado sou eu". Ao contrário de seus antecessores, recusou a figura de "primeiro-ministro", reduziu a influência dos parlamentos regionais e jamais convocou os Estados Gerais.

Vídeo-aula: Introdução ao Absolutismo Monárquico

Na Idade Média, os reis eram reconhecidos como sagrados. Alguns eram ungidos pela Igreja no ato da coroação. No início da época moderna, reis com essas características continuaram a existir e muitas cerimônias políticas de origem medieval permaneceram quase intactas.

O Estado precisava de um forte aparelho burocrático, isto é, de um corpo de funcionários profissionais, para administrar a nação. O rei delegava o poder a ministros ou o exercia pessoalmente, apoiado nos Conselhos de Estado. O novo monarca moderno tornou-se o senhor de todos os senhores e construiu seu poder com base em um exército permanente e em uma vasta burocracia.

Podemos dizer que, em contraste com a fragmentação política da Idade Média e o frágil poder dos reis, o Estado moderno se caracterizou pela progressiva centralização do poder, pela imposição da justiça, da moeda e legislação reais sobre os senhores, pelo fortalecimento do sistema fiscal e pela militarização da realeza.

O pano de fundo dessa mudança política foi o crescimento do comércio e a consequente ampliação dos recursos das monarquias por meio dos impostos. Outros aspectos também foram decisivos, como a crise da Igreja católica a partir do movimento protestante, que fragilizou o poder dos papas, e a invenção da imprensa, que contribuiu para a formação de quadros burocráticos e para o sistema de comunicação em geral. Mudanças silenciosas que tiveram, porém, enorme repercussão.

Podemos dizer que o absolutismo monárquico foi um processo de centralização política nos reinos europeus, no qual todo o poder se concentrava nas mãos do rei. Na prática, porém, cada reino viveu esse processo de forma particular e com ritmo próprio.